domingo, 19 de outubro de 2008

Ó mar, que vens do horizonte,
tu que és a origem da minha salvação!
Diz-me, agora, se és tu a fonte
da pouca beleza que ainda reside
dentro do meu coração.

Conta-me o teu segredo, quero sabê-lo!
Explica-me a magia da tua cura.
Tu que consolas cada desconsolo
que destrói a alegria mais pura.

Acho que serás sempre o mistério
da minha vida, do meu saber.
Mas, como tal, reinas o meu império,
dás luz e sabor ao meu viver.
I watched this rose in the green,
its thorns made me fear.
You are the rose I’ve seen,
but the thorns have disappeared.

Realidade irreal

Artista é como sonhador,
prende-se no irreal do seu ser.
Conserva a sua própria dor,
é o sonho que o faz viver.

Abstrai-se da realidade
com uma facilidade incomparável.
No entanto, vive na infelicidade
da sua verdade inegável.

Prende-se a cada instante
aos lamentos da sua alma.
Experimenta desespero constante,
apenas a mesma dor que o consome
o acalma.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Back in the summer of '08

Viver cada dia
com aquela alegria
que paira no ar de Verão.

Sentir o Sol a bater de chapa,
sentir o vento suave, a maresia.
Olhar em volta e libertar um sorriso
sincero e puro a cada dia.


Pensamos que temos todo o tempo do Mundo
para aproveitar a vida, ser jovem, ser feliz!
Não damos pelos dias que passam a correr,
pelas tardes, pelas noites que sabemos viver.


De repente, acaba-se tudo,
parece que ainda ontem começou...
Tantos momentos, está o nosso coração mudo,
fizemos “fast-forward” e tudo mudou.

Olhamos para trás, para a nossa vida em conjunto
e só nos dá vontade de fazer o tempo recuar.
Reviver os momentos que passámos juntos
a aprender, a descobrir, a renascer, a amar.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Meu Fado

Meu fado, meu futuro,
minha predestinação.
Temo que seja duro,
cruel talvez, frustração.

Receio meu amanhã, temor constante
para o qual não encontro qualquer final.
O tempo é minha bússola errante,
meu cão-guia, minha previsão astral.

Admito que seja complicado,
Desesperante até, esta ignorância.
Contudo, está meu coração dispensado
de tanto saber, de tão vasta ganância.

De entre imensos conhecimentos,
gerais, específicos, enfim!,
inundo-me eu de contentos,
de felicidade, paixão sem fim.

Não sei nada, mas sei tudo,
se é que me faço entender.
Pois do nada que sei, está mudo
o meu coração de tão precioso saber.

Não importa que tente minha vida
ser cruel, nua, suja e gasta!
Não importa, nunca estarei perdida,
seja meu fado triste, minha vivência nefasta.

Ter-te-ei sempre a ti, meu pilar,
e essa é uma certeza universal.
Pois que maldade consegue superar
a força de um amor incondicional?

domingo, 20 de julho de 2008

As estrelas brilham esta noite?

Pergunto ao meu coração
A cada dia que passa,
A cada noite que se arrasta,
Como vai ele de disposição.

Não sei já o que fazer
desta vida algo inconstante.
Quando me encontro assim,
neste permanente sofrer,
neste grave amanhecer
e perigoso anoitecer...
“As estrelas brilham esta noite,
ou terão caído na perdição,
perdido a luz hipnotizante?”,
pergunto ao meu coração.

Não costuma responder
à minha pergunta diária.
Não que seja importante,
é só para ouvir a minha voz.
Pois sei perfeitamente
como está ele de maré
a cada minuto que seja.
E sei-o de cor,
sinto-o, pressinto-o, prevejo-o
a cada dia que passa.

De dia faz por se sentir feliz,
ao escurecer, vão-se as suas forças.
Parece que a luz o faz viver,
a lua vem para o fazer sofrer,
e esta é regra sem excepção.
Tanto preso como livre,
tanto batendo por alguém
como sofrendo por ninguém,
cede sempre o meu coração
a cada noite que se arrasta.

Por agora está preso a outro,
mas esse outro não o sente.
Por isso, quer seja dia, tarde ou noite,
quer chova ou brilhe o Sol,
está o meu coração desesperado,
triste e alarmado,
sozinho e descontente,
sem amor, sem paixão.
E, então, sei eu, como sempre,
como vai ele de disposição.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Como se perfurado por um tiro
ou atacado violentamente
está o meu coração.

Foi da noite para o dia
ou do dia para a noite,
nem sei.

Ignoro que tempo fazia,
não me lembro da cor, do momento,
apenas da magia
que logo se transformou em dor,
em solidão, em sofrimento.

Com frequência surge
no meu pensamento
a pergunta que todos fazem,
a que aparece, vadia,
em ocasiões de desalento.

A que se inicia com “Porque”,
termina em “assim”,
pelo meio “tem de ser”.
E logo que acabo de a fazer
o céu começa a escurecer
e o meu coração... Ai de mim!

Sei que acabarei por concluir
que mais vale ser feliz,
pelo menos, lutar por sê-lo,
do que viver desta maneira
entre aqui e ali
sem saber por onde ir.

Até alcançar esse ponto
está a minha vida mal conduzida,
a minha paixão, perdida.
A minha alegria, descontente.

A suave maresia
que me alumiava o coração
há-de reaparecer algum dia,
há-de me devolver o espírito,
há-de me estender a mão
e eu hei-de agarrá-la
firmemente, ferozmente
como sempre agarrei.

Sei que em breve encontrarei
a felicidade que me foi tirada
da noite para o dia
ou do dia para a noite,
nem sei.